domingo, 31 de janeiro de 2010

Vícios

Bem-vindos a minha casa, acomodem-se onde desejarem...


Disclaimer: Sim, essa história me pertence e copiá-la seria roubo, então, já sabem né? Querem usar algo daqui, peçam e deixem avisos. Alias, a idéia da maçã de prata vem do livro “Thite” da Autora Black Holly.
Essa história foi escrita como resposta ao desafio Miss Sunshine do fórum UMDB (porque a Nielita pode e quando ela esta ocupada, os Admin. não deixam por menos! \o/), em resposta ao tema: 84 - Borboleta

Vício

Nunca sentira aquele sabor, era doce, aguado, forte o suficiente para viciá-lo e fraco de mais para satisfazê-lo, tinha gosto de plenitude e ele precisava de mais. Consumiu toda a fruta com voracidade, engolindo até os brancos caroços em seu interior, lambia do sumo que ficara nas mãos, quando ouviu a risada suave dela, a criatura que lhe oferecera o fruto.

Ajoelhou-se para pegar um novo fruto, que ela jogara no chão, o comeu inteiro, ignorando a terra que o sujava, precisava de mais. A criatura se ajoelhou em frente a ele, fazendo-o pensar que não deveria estragar o etéreo vestido que a cobria, ela era assustadoramente inumana e belíssima. Mais alta do que ele, mais alta que qualquer garota que já tivesse visto, e magra, pálida como se não corresse sangue em suas veias, os olhos eram como duas contas verdes esmeralda, brilhantes, não havia pupila, como os olhos de um pássaro, o rosto tinha traços inumanamente finos, e a boca de cor negra parecia grande de mais para aquele rosto, num sorriso mordaz que parecia rasgar-lhe as bochechas, dentes muito brancos e afiados amostra, os cabelos longos, vermelhos e lisos, eram cortados pelas pontas de grandes orelhas élficas, mas o que mais chocava em sua aparência eram as asas, imensas asas de borboleta, azuis turquesa, com pequenos pontos negros e prateados, que seriam capazes de cobri-la completamente.

A criatura pegou a barra do vestido negro que usava e limpou seu rosto sujo de terra com ele, o toque do tecido parecia com o que se sentia ao atravessar a neblina, etéreo, úmido e frio, e a criatura cheirava a orvalho, ela riu, seu riso era frio, e, quando falou, sua voz era como o som de um sino de prata:

- Está todo sujo, pobrezinho. Está perdido? – Apesar das palavras gentis, ela soava irônica.

Ele era um homem de estatura mediana, moreno, olhos castanhos claros, escondidos por óculos, cabelos negros e lisos, um pouco mais longos do que deveriam devido a sua preguiça de cortá-los, não tinha nenhuma beleza especial, mas também não era feio, era apenas um homem comum, um homem comum que jamais deveria ter aceitado aquele convite, agora seus olhos estavam opacos, ele se esquecera de quem era e só conseguia pensar em uma coisa:

- Mais, eu preciso de mais! – Seu tom era choroso e ele implorava, necessitava daquele sabor como de uma droga, sentia-se especial ao provar a misteriosa fruta.

A criatura riu cruelmente de seu desespero, tirando outra fruta de um local que ele não soube identificar, parecia uma maçã, mas era prateada e por dentro era rubra como sangue, ela lhe atirou a nova fruta e ele pode senti-la quente em suas mãos, como um ser vivo. Mordeu o fruto sofregamente e mastigou o quanto pode, aproveitando os efeitos daquele sabor, sentindo-se pleno, engoliu outro pedaço antes de perguntar:

- Quem é você?

- Quem é você? - Ela perguntou de volta.

O homem parou por um instante, mordendo mais um pedaço da fruta divina e percebeu que não se lembrava... Mas tudo bem, não havia problemas, nada poderia assustá-lo enquanto aquele sabor persistisse em sua boca. Deu de ombros, dizendo que não sabia, fazendo a criatura gargalhar.

- De onde você vem?

Novamente, ele não sabia a resposta, não se lembrava, não sabia ao menos como chegara ali e não se importava, tudo que queria era aquela sensação que tinha a cada pedaço, mas o terceiro fruto tinha chegado ao fim.

- Mais. – Foi tudo que conseguiu dizer. Sentindo seu sangue correr rápido e quente por suas veias que pareciam movimentarem-se por sob a pele, sentia-se forte e poderoso, nunca havia se sentido assim antes, nunca mais queria deixar de se sentir daquele jeito.

- Não tem mais. – Disse a criatura, cruelmente, rindo da careta de desespero que se apoderou da face mortal.

- Eu preciso de mais! – Ele gritou, se levantando, sentindo seu cérebro queimar ao processar aquela informação, a sensação acabaria, tudo acabaria, sua força acabaria, se ele não conseguisse mais daquele sabor.

- Não tem mais. – Ela repetiu com uma voz falha, como estivesse se controlando para não gargalhar.

- Eu quero mais! Me dê mais! – Ele gritava, andando cambaleante em direção a criatura que ria com sua dor.

- Não tem mais. – Ela falou uma ultima vez, entre gargalhadas, enquanto corria para dentro da mata escura, que rodeava a clareira onde antes estavam.

Ele começou a persegui-la, em desespero, se embrenhando mais e mais na mata enquanto seguia o som das risadas, galhos e vinhas se enroscavam em seu corpo
e provocavam pequenos arranhões em seus braços e rosto, vez o outra podia sentir a dor de um espinho cravando com mais força e rasgando suas calças sociais, chegando a perfurar a pele, mas nada importava, nada disso importava, deixaria de sentir dor assim que a pegasse, assim que conseguisse alcançar aquela criatura e recebesse novos frutos.

Corria ignorando as dores no corpo, ignorando o espaço em volta, seguindo apenas a risada daquela criatura, quando a viu parada a sua frente, se contorcendo de tanto rir, as asas batendo rapidamente, provavelmente em conseqüência de sua diversão, ele não hesitou em correr na direção dela até sentir o chão faltar e o impulso da queda. Um penhasco, a maldita criatura estava voando sobre ele e estava escuro de mais para que o homem o percebesse, mesmo que não estivesse, ele estava obcecado de mais pelo gosto para perceber.

Enquanto caia, envolto pela risada feroz da criatura, que parecia envolvê-lo em espiral, retardando a queda e seu momento final ao máximo, ele se lembrou de como chegara ali.

Momentos antes na mesma noite, ele estava numa exposição de insetos, era um biólogo dedicado ao estudo de insetos. Observava um quadro onde o corpo de uma enorme borboleta colorida estava pregado, quando foi abordado por uma bela ruiva, usando um provocante vestido negro.

- Então o senhor é o famoso pesquisador de borboletas? – Ela falou com uma voz suave, um sorriso delicado adornando o rosto de traços aparentemente orientais.

- Eu não diria famoso. – Respondeu, sentindo-se nervoso por falar com uma mulher tão bonita.

Ela riu de leve, docemente, mas seus olhos emitiram um brilho sinistro quando ela lhe perguntou.

- E você acredita em fadas?

Fim.













Omake feito pelo beta Otoshi (assumidamente odiador de fadas.):

- Eu não. Você acredita na morte? – O simples homem tirou seu trunfo, uma pequena pistola de porcelana. A ruiva se apavorou. Ouviu-se um disparo.- Menos uma. – Disse ele, antes de rir-se. Se tornava cada vez mais comum hoje em dia. Bom, mais uma borboleta para a coleção.

(Engraçado, mas ai não haveria história.)

N/a.: Ola a todos e a todas que leram essa história,
Espero que tenham gostado, eu simplesmente adorei escrevê-la. Quando peguei o tema “borboleta”, não tinha idéia do que faria com ele, mas sabia que devia pegá-lo, bem, acho que valeu a pena.

Adoro fadas e adorei escrever sobre elas numa perspectiva diferente da típica “fada boazinha que ajuda crianças.”

Beijos,
Yami_no_hime! :*

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Resoluções de ano novo.

Bem-vindos a minha casa, por favor, acomodem-se onde desejarem...

Em primeiro lugar, um pedido de desculpas a qualquer pessoa que ainda leia esse blog, afinal de contas, foi mais de um mês sem postar, mas tentarei compensar isso.

Hoje, vou deixar aqui algumas das minhas resoluções de ano novo:

* Emagrecer 10 kg (consegui ano passado, quero mais esse ano. o/).

* Poupar dinheiro (O que é difícil, para uma gastadora compulsiva como eu).

* Conseguir um bom estágio de Segurança no Trabalho (e assim fazer todo o tempo gasto com esse curso chato ter valido a pena.).

* Voltar pro curso de inglês (Deus sabe como preciso. XD).

* Escrever mais no blog (Opa, primeira postagem do ano no dia 25 de janeiro, comecei bem. XD).

* Ler Pelo menos um livro por mês (Esse vai ser um prazer.).

* Ir regularmente a academia (Para qual devo voltar hoje... eu acho. ^-^’).

* Escrever mais fics e histórias (ESSE EU TO CONSEGUINDO, PUBLIQUEI HOJE A PRIMEIRA FIC DO ANO: http://www.fanfiction.net/s/5694847/1/O_Medico_e_o_Monstro ).

Assim encerro o primeiro post de 2010,
Um hiper-mega-power-uper atrasado feliz ano novo pra todos!
Beijos,
Yami_no_hime! :*

domingo, 20 de dezembro de 2009

Gentileza

Bem-vindos a minha casa, acomodem-se onde desejarem...

Hoje foi a segunda prova do vestibular da UFF, eu estava tranqüila com essa prova e nem pensei muito nela, uma vez que meu namorado passou o dia comigo ontem. Porém, hoje de manhã cedo (uma péssima mania essa, de marcarem os vestibulares em horas que qualquer um prefere estar dormindo.), eu perdi a hora me arrumando e tomando café, o que me deixou bem em cima da hora para chegar no horário limite de entrada pra prova. No desespero, eu só peguei um lápis e uma borracha, contando com a sorte, torcendo para que alguém estivesse vendendo canetas na porta do prédio, como sempre acontece.

Passei o caminho inteiro ouvindo a minha mãe reclamar da minha irresponsabilidade, enquanto ficava cada vez mais nervosa com o tempo correndo e o Arthur segurando a minha mão, me apoiando. Quando, depois de pararmos no prédio errado e perdermos alguns minutos preciosos, encontramos o local correto, eu corri como uma louca (O que, com toda a “graça e elegância” que tenho ao correr, não é difícil. XD), quando avistei a única venda gritei:

- Moça, tem caneta?!

E a dona da venda me respondeu que não, eu gelei! Céus, não bastasse ter perdido a UERJ, EU PERDERIA A UFF! Mas a sorte, finalmente, me sorriu, uma mãe, provavelmente, que havia ido deixar o(a) filho(a) para fazer a prova, me salvou ao dizer: “Eu tenho!” e me entregar a caneta de bom grado. Eu nem hesitei, peguei a caneta, agradeci e continuei correndo.

Consegui ultrapassar os portões e fui fazer a prova, que estava relativamente simples, apesar de trabalhosa. Sabem o que é mais incrível? Eu não usei nem o lápis, nem a borracha, fiz as questões diretamente a caneta e ela funcionou perfeitamente, sem falhar em nenhum instante durante a prova, me permitindo responder cada questão com calma e escrever uma ótima redação.

Se eu acho que passo pra UFF? Talvez, mas sei que não teria tido chance, se não fosse a gentil senhora (tinha uns 40/50 ano.) que me “emprestou” a caneta. Uma caneta bic comum, preta, simples, mas que pode fazer toda a diferença no meu futuro.

Quando eu sai da prova, três horas depois, procurei por ela, torcendo para poder agradecê-la devidamente e devolver a caneta, porém não a encontrei, uma pena.

O ato de gentileza dela, totalmente desprendido de interesse, em ajudar uma garota (idiota o suficiente pra não chegar cedo ao local de prova) que nunca tinha visto e poderia estar competindo com o(a) filho(a) dela, me permitiu ter uma chance de ser aprovada e entrar para uma excelente faculdade pública na minha primeira tentativa.

Eu estou realmente grata a ela e só tenho uma coisa a lamentar: Ações como essa estão ficando cada vez mais raras.

Beijos! :*

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Primeira vez...

Bem-vindos a minha casa, acomodem-se onde desejarem...

Toda a primeira vez é importante, o primeiro respirar, o primeiro choro, a primeira amizade, a primeira festa, o primeiro beijo e o primeiro sexo... Todos os primeiros momentos são marcantes nas vidas das pessoas. Ninguém consegue esquecer totalmente seus primeiros momentos.

Então, por que será que parecemos dar tão pouco valor a eles? Ninguém esquece os primeiros momentos, então, por que esquecem quem os afagou quando chorava, quem lhe deu a mão pela primeira vez, quem era o aniversariante, de quem era a boca sobre a sua ou o corpo sobre o seu? Seriam as pessoas menos importantes que os momentos?

Nenhuma primeira vez é linda e mágica como nos contam as histórias, todas tem suas dificuldades, seus problemas, seus desafios... Mas é a pessoa que esta conosco, quem nos apóia e com quem compartilhamos esses momentos que tornam tudo isso especial.

Me entristece ver tantas pessoas esquecendo as pessoas que estiveram juntos delas em diversos maravilhosos de suas vidas, amigos, parentes, amores... Nenhum ser humano cresce sozinho, então, por que esquecemos?

Eu gostaria de lembrar pra sempre, mesmo das pessoas com quem não tenho mais contato... Porém sou humana e vou esquecer, mas acredito, que sempre que lembrar meus primeiros momentos, lembrarei delas... Talvez nem lembre seus nomes ou rostos, daqui a alguns anos, mas lembrarei de sentimentos e assim, sei que nunca irei esquecer aqueles que foram importantes pra mim.

Muitas primeiras vezes são importantes, muitas são especiais, pena que algumas pessoas jogam fora suas primeiras vezes sem motivo. Primeiras vezes devem ser felizes e memoráveis, mesmo que com algumas dificuldades e afins, pois assim, elas valerão a pena.

Beijos! :*

domingo, 8 de novembro de 2009

Kai

Estava sentada em um dos mais altos galhos de um carvalho, uma perna descansava esticada, enquanto outra balançava solta no ar. Esticou a coluna, ficando completamente encostada do tronco, as asas castanhas, uma de cada lado do tronco, eram sua maior segurança. Sentia a chuva limpar seu corpo e o vento a arrepiava, além de sacudir a fina túnica cor de creme, deixando uma parte maior das pernas amostra.
*
Dominada pela força da natureza, olhou para baixo, vendo o solo a metros de distância, riu sozinha, com a adrenalina tomando seu corpo e o sabor da liberdade formigando em sua língua, com o ar puro que entrava. Livre, estava livre! Não se lembrava de quando fora aprisionada, mas ainda tinha marcas do cativeiro em seus pulsos, as cicatrizes provocadas pelas algemas.
*
Foram tantos anos de aprisionamento, de dor e solidão, até as primeiras ajudas. Não entendia o porquê de recebê-las, mas não se libertaria sem elas, foram palavras e carinhos, fé e encorajamento, pouco a pouco o incentivo aumentava e assim crescia a força dela. Finalmente, houve força o suficiente para arrebentar os grilhões e arcar com as consequências de sua rebeldia e foi em meio a esta luta que elas nasceram, rasgando suas costas, grandes asas, como as de uma ave de rapina, que com o incentivo de um grito selvagem a ergueu para os céus e levou-a para longe do cárcere.
*
Estava ofegante só de lembrar, havia um poder intenso tomando seu corpo, enquanto sentia suas unhas tornarem-se garras e sua visão captar cores e detalhes nunca antes percebidos. A risada alta escapou de sua garganta em rodopios ferozes, nada mais poderia detê-la, era uma força da natureza, era sobrenatural, era Kai.
*
Foram anos, décadas, talvez meses ou séculos viajando para onde seus instintos lhe guiassem, até encontrá-lo pela primeira vez.
Uma noite escura, sem estrelas, quando uma lua letal dominava o céu como se tivesse roubado toda a luz para si. Ouviu um som que ecoava por entre as arvores da floresta, tão poderoso quanto seu canto, perigosamente ameaçador.
Movida pela curiosidade, seguiu o som, até encontrar a criatura que o emitira, uma fera sem comparações, com todos os pré-requisitos de um predador, o coração falhou uma batida, era fascinante. Manteve-se escondida, assistindo-o caçar, encantada pelos movimentos perfeitos e pelo ataque implacável, pobre criança não teve chance...
*
Kai não poderia compreender o porquê, mas, após muito tempo, não sentia vontade de partir, desejava observar aquele ser curioso, tão igual e diferente de si mesma.
*
Assistia, compartilhando dos sentimentos dele, enquanto ele seguia para a verdade, lhe doíam as duvidas dele e seus temores, enquanto nas noites de lua cheia, sentia-se plenamente satisfeita ao vê-lo livre, algo lhe insinuava que ele sabia de sua presença e milhares foram as vezes que trancou a voz para não responder aos uivos que tanto a atraiam.
*
Em silêncio, comemorou o dia em que ele descobriu o que realmente era e, também, conseguiu se libertar.
*
Mais tempo se passou e ela já não se satisfazia em observá-lo, ansiava poder tocá-lo, sentir a pele quente e afundar as mãos nos pelos macios, entorpecer-se com seu cheiro e saborear seu gosto. A vontade cresceu, até tornar-se esmagadora e forçá-la a se revelar.
*
Andou em silêncio, até estar perto de mais para não ser notada e sentiu o ar faltar ao percebê-lo ainda mais fascinante de perto. Assistiu sua aproximação com expectativa, mantendo seu olhar firme nos dele, sem nenhuma hesitação.
Não temeu quando foi envolta pelos braços dele e sentiu-se completa quando suas bocas se uniram, as línguas se entrelaçaram, banindo toda a dor que persistia em seu corpo. Não houve racionalidade nos caminhos seguidos pelas mãos e lábios em suas explorações, ate que, por não poderem mais adiar, os corpos se uniram, as novas sensações os tirando do mundo real e marcando a união de criaturas pares, em suas semelhanças e diferenças.

*
Fim.

Parabéns pelos seus 16 anos, hoje nossa união completa 5 meses.
Te amo,
Beijos! :*